
Edição de 2026 · Documento original
Cronologia, protagonistas e legado
13 de Julho e 25 de Novembro de 1975 em Rio Maior. Uma publicação que reúne reconstituição histórica, testemunhos de Joaquim Nazaré Gomes, discursos e fotografias das comemorações.
Esta página apresenta uma síntese editorial do relatório, que reúne testemunhos e interpretações dos acontecimentos. As referências seguem a numeração impressa; as ligações abrem a página correspondente no PDF original.
01 · Os acontecimentos
O 13 de Julho, passo a passo
A defesa do Grémio da Lavoura
O relatório situa a mobilização de Rio Maior no ambiente de tensão do Verão Quente de 1975. A disputa em torno do Grémio da Lavoura é apresentada como o ponto de encontro entre o receio das ocupações de terras e a defesa da autonomia dos agricultores locais.
Segundo a reconstituição, a notícia de uma reunião promovida pela Liga dos Pequenos e Médios Agricultores de Alpiarça circulou na véspera. Na manhã de 13 de Julho, agricultores e outros habitantes concentraram-se junto do Grémio, procurando impedir aquilo que entendiam ser uma tentativa de tomada das instalações.
Confrontos e repercussões
O texto descreve a escalada para os assaltos às sedes locais do PCP e da FSP, com destruição de bens e agressões, e a posterior intervenção de militares das Caldas da Rainha. Nos dias seguintes, o conflito prolongou-se na disputa sobre a informação publicada, na destruição de jornais e na mobilização de solidariedade com os agricultores.
Na leitura do relatório, estes acontecimentos deram dimensão nacional a um conflito inicialmente local.
02 · Pessoas e testemunhos
Joaquim Nazaré Gomes e os protagonistas
Organizar, representar e recordar
A publicação apresenta Joaquim Nazaré Gomes como participante na mobilização dos agricultores, interlocutor junto das autoridades e testemunha que, ao longo dos anos, voltou a contar os acontecimentos.
O seu percurso liga a defesa do Grémio à representação dos agricultores em Belém. O relatório também lhe atribui uma reflexão crítica sobre os excessos cometidos contra militantes comunistas locais, distinguindo a luta política das relações pessoais entre vizinhos.
Uma rede de lideranças
José Manuel Casqueiro surge como figura de articulação nacional do movimento agrícola. Luís Madeira e Guilherme Jacinto são identificados, juntamente com Casqueiro e Nazaré Gomes, como membros da delegação que se deslocou a Belém na noite de 24 para 25 de Novembro. A publicação dedica ainda espaço a Adelino da Costa Bernardes e à memória dos agricultores da região.
03 · De Julho a Novembro
As barricadas e a reunião em Belém
O plenário de 24 de Novembro
A segunda parte do relatório acompanha a preparação da concentração de agricultores em Rio Maior. Descreve o trabalho das associações e do Secretariado Nacional de Agricultores, os plenários e a elaboração de reivindicações sobre a propriedade e a política agrária.
Na noite de 24 para 25 de Novembro, o relato situa o bloqueio de vias de comunicação, incluindo a estrada Lisboa–Porto e a Linha do Oeste. Os cortes são apresentados como uma forma de pressão sobre o poder político.
A delegação dos agricultores
Segundo o testemunho reproduzido, Casqueiro, Nazaré Gomes, Luís Madeira e Guilherme Jacinto levaram as reivindicações a Belém, numa reunião que se prolongou até à madrugada. A publicação relaciona essa mobilização civil com o contexto do 25 de Novembro e realça a importância que os participantes lhe atribuem.
04 · A organização dos agricultores
Do Secretariado Nacional à CAP
Da escala local à representação nacional
O relatório destaca as redes associativas que permitiram reunir agricultores de várias regiões. O Secretariado Nacional de Agricultores, com atividade em Rio Maior, aparece como uma estrutura de coordenação entre associações e como antecedente da Confederação dos Agricultores de Portugal (CAP).
A passagem para a negociação institucional
A criação da CAP é apresentada como um dos legados duradouros da mobilização de 1975. Na interpretação do texto, a estabilização política e a organização do setor alteraram as formas de intervenção: as reivindicações passaram progressivamente das ações de rua para a representação e a negociação com as instituições.
O relatório discute também a diversidade de interesses entre agricultores e a mudança de prioridades que acompanhou essa transformação.
05 · O enquadramento
Portugal no contexto da Guerra Fria
Os receios que atravessavam o país
O capítulo internacional procura explicar como a rivalidade entre os blocos ocidental e soviético influenciava a leitura da crise portuguesa. Aborda as relações do PCP com a União Soviética e a atenção dos Estados Unidos e dos aliados europeus à evolução política de Portugal.
A ligação à experiência local
O relatório associa esse ambiente aos receios de coletivização expressos pelos agricultores. Distingue o enquadramento internacional de uma intervenção direta em Rio Maior, para a qual o próprio texto não apresenta evidência. Este capítulo permite compreender a dimensão política que os participantes atribuíam à defesa das suas terras.
06 · A memória e o mundo rural
O que permanece depois de 1975
Comemorar e transmitir
A publicação acompanha a preservação da memória através do Dia do Agricultor Livre, da toponímia, dos testemunhos e das comemorações do cinquentenário. Reconhece também que os acontecimentos são recordados de formas diferentes: como defesa da liberdade pelos agricultores e como violência política por quem sofreu os ataques.
Novas questões para a agricultura
Na reflexão sobre o mundo rural, o relatório destaca a renovação geracional, o abandono de terras, a gestão da água, a sustentabilidade e a modernização tecnológica. A ligação ao passado faz-se pela necessidade de representação dos agricultores e de participação nas decisões sobre o território.
Esta parte da publicação toma sobretudo 2025 como referência para a sua análise dos desafios agrícolas.
07 · As vozes da publicação
Discursos e evocação do Agricultor Livre
Recordar o 25 de Novembro
A abertura inclui um texto assinado por Joaquim Nazaré Gomes sobre a ligação entre a mobilização agrícola e o 25 de Novembro. É uma evocação na primeira pessoa, marcada pela memória da organização dos agricultores e dos contactos com os militares.
Celebrar e passar o testemunho
A alocução de Adriana Agostinho recorda o desfile de tratores do cinquentenário e relaciona a liberdade de iniciativa com as exigências da atividade agrícola. O discurso de Joaquim Nazaré Gomes agradece o apoio às comemorações e sublinha a importância de transmitir às gerações mais novas a experiência de 1975.
As fotografias das comemorações que acompanham a edição prolongam essa ligação entre os acontecimentos históricos e a comunidade que os recorda.